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Música de Raiz

Teixeirinha: as canções, o estilo e a ligação com Passo Fundo

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Sentinela do Pampa

Date Published

Imagem: Felipe Araldi · Public domain

Estátua do compositor Teixeirinha, em Passo Fundo, Rio Grande do Sul

Vitor Mateus Teixeira nasceu em Rolante (RS), em 3 de março de 1927 [1]. Ficou conhecido como Teixeirinha e deixou mais de 50 álbuns [1]. Duas de suas músicas contam boa parte da história: "Coração de Luto", que o projetou no Brasil, e "Gaúcho de Passo Fundo", que ligou seu nome a uma cidade onde ele não nasceu.

Do rádio ao disco

Teixeirinha ficou órfão de pai aos sete anos e de mãe aos nove, e trabalhou em fazendas e como entregador de jornais antes de chegar à música [1]. A carreira artística começou depois do primeiro casamento, com Zoraida Lima, quando se mudou para Passo Fundo (RS) e passou a cantar na Rádio Municipal. Nas horas vagas animava festas, e nesse período adotou o nome artístico [1].

O convite para gravar veio em 1959, em São Paulo [1]. A discografia organizada pelo pesquisador Glênio Póvoas, para a Cinemateca Paulo Amorim, registra os primeiros discos de 78 rotações do selo Sertanejo (gravadora Chantecler): o primeiro, de julho de 1959, tem "Briga no batizado" e "Xote Soledade" [6]. Em julho de 1960 saiu o disco que reúne, nos dois lados, as músicas que marcaram a carreira: "Gaúcho de Passo Fundo" (xote) e "Coração de Luto" (toada-milonga), com acordeon de Alberto Calçada [6]. Em novembro daquele ano veio o primeiro LP, O Gaúcho Coração do Rio Grande [6][3].

O estilo

Teixeirinha assina letra e música da maior parte do que gravou, como mostram as fichas dos LPs [3]. Seu repertório passa por vários ritmos. Só no primeiro LP aparecem rancheira, arrasta-pé, valsa, rasqueado, xote e toada-milonga [3]. Os discos seguintes somam milonga, tango, samba, guarânia e marcha, além de faixas classificadas como desafio e improviso, em que ele canta em dupla com Mary Terezinha [3].

Os títulos mostram os temas que se repetem. Há a mãe ("Amor de Mãe", "Força do Nome de Mãe", "Resposta do Coração de Luto"), a saudade e a terra ("Saudades de Passo Fundo", "Milonga da Fronteira", "Quatro Cantos do Rio Grande") e o humor de causo ("Briga no Batizado", "Futebol dos Bichos") [3][6]. Em 1961 ele conheceu a acordeonista Mary Terezinha, que se tornou sua segunda esposa e o acompanhou por mais de 20 anos [1].

O estilo, simples e popular, rendeu preconceito. A Cinemateca registra que "Coração de Luto" chegou a ser chamada, de forma ofensiva, de "churrasquinho de mãe" [2]. O Museu da TV conta que, em 1970, no programa A Grande Chance, da TV Tupi, o apresentador Flávio Cavalcanti criticou o "mau gosto" das composições e destruiu LPs do cantor ao vivo [1]. Mesmo assim, nos anos 1970, Teixeirinha fez shows em Portugal, na Espanha e em vários países da América do Sul [1].

Passo Fundo

A cidade aparece na obra e na vida dele. "Gaúcho de Passo Fundo" saiu em 1960, e "Saudades de Passo Fundo" deu título a um LP de novembro de 1962 [6][3]. Em 1962 ele recebeu o título de Cidadão Passo-Fundense, ainda em vida [4]. Em 2002, a Lei Municipal nº 3892 fez de "Gaúcho de Passo Fundo" a música símbolo do município [4].

Em 1989, uma lei (nº 2499/89), proposta pelo vereador Tadeu Karczesky, criou o monumento a Teixeirinha. A obra, do artista plástico Paulo Batista Siqueira, foi inaugurada em setembro de 1991, depois de polêmica local sobre o formato e o custo [4]. É uma escultura de peças metálicas recicladas, que mostra o músico com o violão e a pilcha gaúcha, na Avenida Brasil [5].

Os filmes, em resumo

O cinema nasceu das canções. Coração de Luto (1967), com direção do espanhol Eduardo Llorente, conta a infância de Teixeirinha a partir da música e traz o cantor adulto interpretando trechos de suas músicas, entre elas "Gaúcho de Passo Fundo", cantada por inteiro [2]. A pré-estreia foi em Porto Alegre, em 15 de setembro de 1967 [2]. Em 1969 ele estrelou Motorista Sem Limites e, em 1970, fundou a Teixeirinha Produções Artísticas, com a qual produziu dez filmes [1]. Os discos registram em quais filmes cada música foi usada, como "Motorista Brasileiro", em Motorista Sem Limites [3].

Teixeirinha morreu em 4 de dezembro de 1985 (a Cinemateca registra 5 de dezembro) e foi sepultado em Porto Alegre [1][6].


Fontes

  1. Museu Brasileiro de Rádio e Televisão (MBRTV). Teixeirinha. https://www.museudatv.com.br/biografia/teixeirinha/ (consultado em 04/10/2026)
  2. Cinemateca Paulo Amorim / Portal do Cinema Gaúcho. Coração de luto (1967). https://www.cinematecapauloamorim.com.br/portaldocinemagaucho/135/coracao-de-luto (consultado em 04/10/2026)
  3. Cinemateca Paulo Amorim. Teixeirinha (2) LPs de carreira e especiais 1960-1969. Pesquisa: Glênio Póvoas. https://cinematecapauloamorim.com.br/discografias/2458/teixeirinha-2-lps-de-carreira-e-especiais-1960-1969 (consultado em 04/10/2026)
  4. BRAMBILLA, Adriana Carmen. Paisagem Urbana e Memória: O Monumento Teixeirinha. Arquivo Histórico Regional, Universidade de Passo Fundo, 2018. https://www.upf.br/ahr/memorias-do-ahr/2018/paisagem-urbana-e-memoria-o-monumento-teixeirinha (consultado em 04/10/2026)
  5. Passo Fundo pra Cego Ver. Estátua do Teixeirinha. https://passofundopracegover.com.br/local/estatua-do-teixeirinha/ (consultado em 04/10/2026)
  6. Cinemateca Paulo Amorim. Teixeirinha (1) (discografia). Pesquisa: Glênio Póvoas. https://cinematecapauloamorim.com.br/discografias/1548/teixeirinha-1 (consultado em 04/10/2026)